Puerpério
Uma fenda no espaço-tempo-carne: os meus caminhos por essa trilha de solidão, brumas e amor.
Eu acho fascinante quando micropartículas de poeira são reveladas no ar quando o sol bate de um jeito displicente e ao mesmo tempo, milimetricamente programado. Essa cena comum do cotidiano, sempre me pega desprevenida e me causa espanto porque é como se a gente não tivesse autorização para saber que a poeira está ali e a luz nos conta esse segredo. O ambiente ganha um peso e uma velocidade. Tudo fica denso e lento, numa mistura que é própria dessas partículas que se mostram sem querer. Elas estão ali o tempo todo, mas ninguém as vê e a maneira como elas se movimentam é diferente do resto, como se o relógio precisasse de uma outra frequência, uma outra medida para dar conta do que está acontecendo naquele momento.
Assim também é o puerpério, essa fenda que se abre no espaço-tempo-carne quando chega uma criança no nosso mundo.
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